quarta-feira, 8 de maio de 2013

Filmes e documentários muito especiais

Existe uma forte relevância para o número de professores que procura utilizar filmes em suas aulas, fazem parte das estratégias pedagógicas sendo utilizados por professores de História do ensino fundamental e médio.
Sem nos aprofundarmos nesta proposta teórica, aproveitamos para indicar alguns documentários e filmes importantes para que nossos alunos possam visualizar neste momento de sua formação.
Basta clicar sobre os mesmos para assisti-los.

Primeiro ano:
O Jardim de Babel, um impressionante documentário sobre a Mesopotâmia
Cartago e os Fenicios,  documentário que trabalharemos pelo bluetooth

Segundo ano:
Revolução Francesa, documentário da History Channel muito bem elaborado e com propostas pedagógicas interessantes para o desenvolvimento de estudos dos estudantes
Danton, O processo de uma Revolução (são vários episódios que podem ser obtidos no You Tube)

Terceiro ano:
O Unicórnio de Porcelana (drama que estamos trabalhando em sala em nosso projeto pelo bluetooth)
Noite e Neblina, de Alan Resnais (sobre o Holocausto)
Arquitetura da Destruição, outro documentário fantastico, produzido nos anos 80 por Peter Cohen

domingo, 14 de abril de 2013

Novamente iluminismo. Que saco!

Vocês pediram um reforço de última hora, pois este é para não esquecer, encontra-se na base da maioria das questões de vestibulares e do ENEM:

Lembrem-se de que tanto a Revolução Inglesa do século XVII como a Revolução Industrial do século XVIII foram conduzidas pela burguesia inglesa, e atentem para o objetivo desses movimentos revolucionários que era o de destruir as estruturas econômicas, sociais e políticas que sustentavam o Antigo Regime na Europa insular, tais como o direito divino dos reis, a política econômica mercantilista e o poder político da Igreja Católica. Fatores que devem também ser transpostos para o cenário da Revolução Francesa
A crise da instituição do Antigo Regime foi acompanhada por um conjunto de novas ideias filosóficas e econômicas que defendiam tanto a liberdade de pensamento, assim como a igualdade de todos os homens perante as leis. Abordaremos mais tarde as idéias econômicas que defendiam básicamente a prática da livre iniciativa.
Esse movimento cultural, político e filosófico que ocorreu entre 1680 e 1780, em toda a Europa (lembrem-se, da insular à continental), sobretudo na França, no século XVIII, ficou conhecido como Iluminismo, Ilustração ou Século das Luzes, de ordem racionalista não se esqueçam.
Os iluministas caracterizavam-se pela importância que davam à razão. Somente por meio desta, afirmavam ser possível compreender perfeitamente os fenômenos naturais e sociais. Essas ideias baseavam-se no racionalismo. Defendiam a democracia, o liberalismo econômico e a liberdade de culto e pensamento. Na verdade, o Iluminismo foi um processo longo do qual as transformações culturais iniciadas no Renascimento prosseguiram e se estenderam pelo século XVII e século XVIII.
Os ideais iluministas influenciaram também movimentos como a Independência dos Estados Unidos, a Inconfidência Mineira, sem nos esquecermos da “sagrada” Revolução Francesa.
Não custa nada reforçar que os ideais do Iluminismo iniciaram-se na Inglaterra, porém foi na França, que atingiu seu maior desenvolvimento, ou climax. Foi na França que viveram as maiores expressões do pensamento iluminista, como Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Diderot e D´Alembert.

Principais nomes do iluminismo:

John Locke (1632-1704): filósofo inglês, autor de Ensaio sobre o Entendimento Humano, rejeitou o conceito de idéias inatas. Afirmava que a experiência é a base de todo o conhecimento. Combateu o absolutismo, negando a origem divina dos reis e afirmando que o governo nasce de um entendimento entre governantes e governados.

Voltaire (1694-1778): François-Marie Arouet, escritor francês, crítico do absolutismo e dos privilégios da Igreja e da nobreza. Por suas críticas, foi preso duas vezes, deixando a França e exilando-se na Inglaterra. Atraído pelas idéias de John Locke, escreveu as Cartas Inglesas, nas quais exalta a liberdade de pensamento, de religião e às instituições inglesas, criticando indiretamente a França.

Montesquieu (1689-1755): Charles Louis de Secondant, barão de Montesquieu. Considerado o pai do liberalismo burguês foi jurista, filósofo e escritor. Em sua principal obra O Espírito das Leis, expôs sua teoria da divisão do poder político em Poder Legislativo – elabora e aprova as leis; Poder Executivo – executa as leis e administra o país; Poder Judiciário – fiscaliza o cumprimento das leis. Suas idéias influenciaram a organização de praticamente todos os governos pós-Revolução Francesa.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): filósofo francês, nascido na Suíça, foi o mais radical entre os iluministas. Ao contrário de Voltaire e Montesquieu, ele não foi porta-voz da burguesia e sim das camadas mais populares. Suas idéias contrariavam, por exemplo, um dos princípios centrais da sociedade burguesa - a propriedade privada. Segundo Rousseau, esta era a raiz da infelicidade humana, pois trazia consigo a desigualdade e a opressão do mais forte sobre o mais fraco. Suas principais obras foram: Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens e Contrato Social.
Democrata, defendeu a igualdade entre os homens; afirmava que o poder político emana do povo; exerceu grande influência na Revolução Francesa e na filosofia dos séculos posteriores.

Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond D´Alembert (1717-1783): Diderot organizou a Enciclopédia, auxiliado pelo matemático D´Alembert, onde foram reunidos todos os conhecimentos da época. Transformou-se, por isso, em veículo das idéias do Iluminismo. Proibida pelas autoridades, por criticar os poderes estabelecidos, a Enciclopédia circulou clandestinamente, sua elaboração, iniciada em 1751, foi concluída em 1772.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um destaque muito especial para leituras



Este site (clique ) apresenta trechos do famoso livro de Hobsbawn, A Era das Revoluções, uma das mais importantes obras primas sobre o ciclo revolucionário burgues do século XVIII, um primor de pesquisa e exposição. Aproveitamos para indicar para os nossos alunos o primeiro capitulo que trata jusamente de ambientar o aluno quanto ao tempo das "transformações", principalmente o a decada de 1780, que é apresentado com intenso rigor de pesquisa.
O fato de ter sido um historiador marxista segundo criticas de inúmeros jornalistas, não elimina o fato de Eric Hobsbawn haver constituido uma importante galeria de avaliações históricas que devem ser consideradas obras primas para o ensino de história, cabe aqueles que o leram proceder às interpretações e julgar quais serão os que se aplicam as temáticas que devem ser consideradas sob estudo.
A leitura deste capitulo favorece aos alunos a aplicação dos conhecimentos recebidos em sala de aula sobre o Iluminismo, perspectivas e aplicação de seus ideais pela burguesia europeia e norte-americana.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

PORQUE HITLER ODIAVA OS JUDEUS?

Recentemente alguns alunos e enviaram emails questionando sobre este ódio de Hitler e se era comum a outros governantes na História, ou se era um caso particular.
Para responder a esta questão vou republicar um ensaio de uma professora da USP que foi publicado em revista da ABRIL CULTURAL e espero que nossos alunos consigam entender este preconceito existente já de longa data na história da humanidade.

Por que Hitler odiava os judeus?
O anti-semitismo tem raízes religiosas milenares
por Marta Francisca Topel*
(in Aventuras na História da Abril Cultural)

Para compreender o anti-semitismo, é fundamental diferenciá-lo do antijudaísmo. O antijudaísmo é o ódio à religião judaica como ideologia ou visão de mundo, enquanto o anti-semitismo é o ódio aos judeus como nação. Entretanto, aqueles que professam o antijudaísmo acabam sendo anti-semitas, uma vez que partem do pressuposto de que a religião judaica contaminou a nação que segue seus preceitos. Por sua vez, o anti-semitismo desemboca no antijudaísmo, ao sustentar-se na premissa de que só uma nação racialmente inferior pôde ter criado uma religião tida como a religião do Mal.
Na Antigüidade, seitas esotéricas conceberam a religião judaica como a religião do demônio e viam os judeus como os agentes na propagação dessa religião do pecado. Essa cosmovisão foi resultado de uma crença dualista, isto é, em dois poderes criadores do universo: o Bem e o Mal, identificando os judeus com o Mal, o que os colocou no papel do mal cósmico e os viu como instrumento do demônio. Todavia, o momento histórico no qual se entrelaçam pela primeira vez e de forma radical antijudaísmo e anti-semitismo é na consolidação da visão paulina. Para o apóstolo Paulo, a revelação da Torá é uma revelação temporária, e aqueles que continuam no caminho da Torá após a chegada de Cristo são traidores. Segundo esse raciocínio, os judeus, ao rejeitarem Cristo como Messias e ao assassiná-lo, transformaram-se em agentes do Mal, no povo deicida.
Ao longo de toda a Idade Média, essa idéia foi desenvolvida e materializada pela Igreja católica. É de se destacar os cânones adotados no Concílio de Latrão (1215) que confirmavam a condenação dos judeus à servidão perpétua, proibiam sua integração na sociedade com o objetivo de impedir a contaminação dos cristãos, obrigavam o uso de signos de diferenciação nas vestes, impediam o acesso dos judeus aos cargos administrativos e os excluíam completamente da agricultura e das corporações. Essas medidas enraizaram na população um ódio milenar baseado numa ideologia demonizadora que culpou os judeus e o judaísmo pela morte de Cristo.
O termo anti-semitismo foi criado no século 19, quando as teorias religiosas que acusavam os judeus de deicídio ficaram caducas. Nesse momento, a partir de uma leitura tergiversada das teorias ligadas ao darwinismo social, o motivo para perseguir os judeus começou a ancorar-se em pressupostos biológicos. Assim, para Hitler, existiam três raças: as “fundadoras” ou superiores, representadas pelos povos germânicos, as “depositárias”, pelos povos eslavos, e as “destruidoras” ou inferiores, que tinham nos judeus o exemplo paradigmático. Obcecado com o ideal de pureza racial, Hitler compreendeu a História como uma permanente luta entre as diferentes raças, na qual a raça superior devia utilizar todos os meios necessários para manter sua pureza. A essa visão histórica foi acrescentado o mito da “conspiração judaica mundial”, fortemente difundido em toda a Europa que, entre outras falácias, divulgou a idéia do poder econômico do povo judeu e do seu monopólio dos meios de comunicação. Os judeus foram transformados no bode expiatório e culpados de todos os males pelos quais atravessava a Alemanha, fazendo com que sua eliminação se tornasse um imperativo de Estado.
Muitos ignoram que os campos de extermínio não estavam na Alemanha, mas na Europa do leste. Isso visava poupar os alemães do “trabalho sujo” e permitia aos poloneses, ucranianos e lituanos, acérrimos anti-semitas de longa data, colaborar ativamente com o ideal nazista de aniquilação total dos judeus. Nas cidades polonesas de Jedwabne, Radzilow, Wasosz e Stawinski, por exemplo, os moradores assassinaram milhares de judeus, sem nenhuma imposição dos alemães. Se algum episódio exemplifica o enraizado anti-semitismo polonês, ele é a matança de judeus depois de finalizada a guerra. O pogrom de Kielce (1946), um entre muitos, permanecerá na história polonesa como um dos maiores atos de covardia coletiva, no qual 42 sobreviventes do Holocausto foram assassinados pelos vizinhos. Por quê? Medo destes de ter de devolver, a seus donos judeus, as casas que haviam ocupado ilegalmente.

*Antropóloga e pesquisadora do Programa de Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da Universidade de São Paulo (USP)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ANTIGO REGIME - 2o ANO - ATENÇÃO

Prezados Alunos do Segundo Ano, como estamos desenvolvendo nosso revisional sobre a estrutura do Antigo Regime convém indicar um material em sítese sobre o assunto muito bem preparado pelo prof. Almir Ribeiro do site "cliohistória". Faça o download aqui, basta clicar e aproveite o roteiro para seus estudos e nossa primeira avaliação.
Brevemente postarei exercícios para seu aperfeiçoamento.

Aproveito para indicar uma leitura interessante para vcs e que por décadas orientou muitas gerações de estudantes, é o clássico de Leo Hubbermann, História da Riqueza do Homem. Para fazer o download basta clicar sobre a figura.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

GUERRA FRIA PARA O EXAME FINAL ANUAL

Como foi solicitado por nossos alunos noturnos, estamos disponibilizando uma síntese para as aulas de Guerra Fria que se farão acompanhar de algumas questões para estudo:

NOVO TEXTO:

Guerra Fria
Ademar, Ricardo e Flávio

Terminada a II Guerra Mundial, em 1945, a situação política mundial iria conhecer novos rumos, em virtude do afasta-mento dos países europeus da condição de grandes potências, e, especialmente, do surgimento de duas "superpotências": os Estados Unidos e a União Sovié-tica. Esta bipolarização iria tra-zer profundos desdobramentos, entre os quais se destaca a Guerra Fria.
Costuma-se conceituar Guerra Fria como um conflito "diferen-te" dos con­flitos tradicionais, uma vez que os dois principais contendores não se enfrentam diretamente, do ponto de vista militar. Esse novo confronto, quando chega à situação de envolvimento bélico, ocorre sempre em outros países, prin-cipalmente os do Terceiro Mun-do. Todos sabem que um confli-to aberto envolvendo as duas super­potências equivale hoje a colocar um ponto final na Histó-ria, pois não haveria a menor possibilidade de alguém sobre-viver a uma guerra nuclear.
Quando se analisam as origens da Guerra Fria, percebe-se com muita clareza o envolvimento inglês e norte-americano na construção de um discurso que pro­curava mostrar os perigos do expansionismo soviético. Apontava-se para a Europa Ori-ental como o exemplo mais pal-pável desse expansionismo, uma vez que os soviéticos havi-am ocupado aquela região du-rante a Guerra Mundial e se recusavam a abandoná-la. No texto de aprofundamento se discutirá um pouco mais estes "mitos" da Guerra Fria.
-j Há uma certa discordância entre os autores no que se refere à periodização do conflito. Para muitos, a Guerra Fria já é um assunto do passado, uma vez que teria se desenrolado no final dos anos 40 e nos anos 50. Já no final da década de 50,
justificam eles, as relações EU-A/URSS passam a ser coman-dadas pela ideologia da "Coe-xistência Pacífica" e, posterior-mente, da "Détente". E, nos dias de hoje, já não se poderia falar em bipolarização, uma vez que novas forças emergiram e o quadro das relações internacionais modificou-se substancialmente. Para outros autores, a Guerra Fria perpassa todo esse período, do final da segunda Guerra Mundial aos dias de hoje, uma vez que consideram o período da "Coexistência Pacífica" e da "Détente" como simples fases do conflito, sendo que nos anos 80 ter-se-ia a fase da "Nova Guerra Fria".

Os Anos 40/50: a Guerra Fria "Clássica"

a) No dia 5 de março de 1946, o ex-primeiro-ministro inglês Churchil, em visita aos Estados Unidos, fez um discurso na ci-dade de Fulton, tendo ao seu lado o presidente Truman, dos Estados Unidos. Nesse discurso, conclamou os norte-americanos a fornecerem ajuda econômica e militar à Grécia e à Turquia, cujos governos estavam às vol-tas com uma luta interna contra o Partido Comunista. Alertava ele para o perigo que represen-tava para o "mundo livre"essa expansão do comunismo.
b) Em resposta a esse discurso e em atenção aos seus próprios interesses, o presidente Tru-mam elaborou, em 1947, uma Mensagem ao Congresso que ficou conhecida como Doutrina Truman. Nesta Mensagem, Truman solicitava aos deputados a concessão de ajuda eco-nômica e militar aos governos grego e turco. Havia se sensibi-lizado pelo apelo de Churchil. A Doutrina Truman, na realidade, estava oficialmente declarando a Guerra Fria.
c) A partir do momento em que a Guerra Fria passava a existir, dentro dos planos norte-americanos de contenção do expansionismo soviético, seria extrema­mente importante cui-dar da reconstrução da Europa. Isto será proposto pelo general George Marshall e aceito pelo governo dos Estados Unidos. Milhões de dólares serão despe-jados na Europa Ocidental, com o objetivo de permitir uma re-cuperação rápida, para fazer frente aos soviéticos. É impor-tante lembrar que tal ajuda foi oferecida também aos países da Europa Oriental, sendo que Sta-lin proibiu-os de aceitarem. Somente a lugoslávia desobe-deceu às instruções de Stalin, gerando o primeiro rompimento dentro do bloco socialista. O presidente Tito, da lugoslávia, aceitou a ajuda norte-americana, mantendo-se, no entanto, socialista.
d) Para conter os soviéticos não bastava a ajuda econômica. Era necessário, ainda, ter um braço armado. E isto aconteceu com a criação da Organização do Tra-tado do Atlântico Norte (OTAN), em abril de 1949. A OTAN é uma organização militar, reu-nindo os países da Europa Oci-dental, os EUA e o Canadá, com objetivos "defensivos".
e) Os soviéticos reagiram a to-das essas tentativas de conten-ção. Os países da Europa Orien-tal foram "sovietizados", em resposta à tentativa dos Estados Unidos de fornecer ajuda econômica a eles. Nos primeiros tempos, após a Segunda Guer-ra, os governos desses países ainda reuniam elementos dos antigos partidos burgueses e camponeses. Os Partidos Co-munistas não eram, geralmente, muito poderosos. No entanto, à medida em que as pressões norte-americanas começaram a se tornar mais efetivas, todos os partidos foram dissolvidos, instituindo-se regimes de partido único, coletivização forçada das terras. Reorganizou-se também o Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários (KOMINFORM) e criou-se o Pacto de Varsóvia, aliança militar dos países da Europa Oriental e da URSS.
f) Uma das regiões mais explo-sivas nesse primeiro momento de tensão entre o bloco capita-lista e o socialista foi a Alema-nha. Terminada a Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida em quatro setores, ocupados pêlos soviéticos, norte-americanos, ingleses e france-ses. A cidade de Berlim, antiga capital alemã, ficou também dividida em quatro setores, posteriormente transformados em dois. Em 1948, quando se discutiam as questões relativas à criação de uma nova moeda para a Alemanha, o problema de Berlim tornou-se agudo e os soviéticos iniciaram o bloqueio da cidade, tentando impedir o abastecimento do setor oeste. No entanto, uma ponte aérea organizada pêlos americanos e ingleses conseguiu abastecer a cidade, determinando, algum tempo depois, a retirada do bloqueio. Logo em seguida, os soviéticos criaram a República Democrática Alemã (RDA), en-quanto os setores americano, inglês e francês foram trans-formados na República Federal da Alemanha, capitalista.
g) Dentro dos EUA, o clima de histeria anti-comunista teve seu ponto máximo com a campanha desenvolvida pelo senador Eu-gene McCarthy, para extirpar os elementos comunistas da socie-dade norte-americana. Incontá-veis prisões e perseguições fo-ram efetuadas, inclusive nos meios artísticos (Charles Cha-pim, o Carlitos, foi uma das mais famosas vítimas). A onda de histeria era alimentada com novos acontecimentos: a URSS explodia suas primeiras armas nucleares, a China fazia a sua revolução, aderindo também ao socialismo. A verdadeira para-nóia que se instalou nos EUA só teve seu fim quando o senador McCarthy passou a acusar ele-mentos das forças armadas como comunistas. Em 1954 ele foi condenado pelo Congresso por suas atividades, caindo em descrédito.
h) Um dos momentos mais ten-sos dessa primeira fase foi a Guerra da Coréia (1950-53). Após a II Guerra Mundial, a Coréia fora dividida em duas áreas de influência: o Norte, sob controle comunista e apoia-do pela URSS e o Sul, apoiado pêlos EUA. De acordo com deci-são da ONU, deveria haver a reunificação do país após elei-ções gerais. No entanto, confli-tos fronteiriços a partir de 1950 levaram a uma guerra entre as duas partes, com envolvimento decisivo dós Estados Unidos apoiando a Coréia do Sul, en-quanto os soviéticos e chineses deram apoio ao Norte. Os con-flitos se prolongaram até 1953, quando foi firmado um armistí-cio, confirman­do a divisão da Coréia, situação que ainda hoje permanece.
i) O fim dessa primeira fase é assinalado com a crise dos mís-seis soviéticos em Cuba. A re-volução Cubana ocorrera em 1959, passando a ilha para o bloco socialista. Aviões de espi-onagem dos Estados Unidos descobriram que estavam sendo instaladas rampas de lança-mento de mísseis, levando o presidente Kennedy a ordenar o bloqueio de Cuba pela marinha norte-americana, e a imediata retirada dos mísseis, sob pena de invasão. Os soviéticos opta-ram por atender à imposição, mas garantindo, por outro lado, que os americanos não tentari-am mais a derrubada de Fidel Castro. Retirados os mísseis, o bloqueio foi desfeito. Mas essa crise mostrou que a política de enfrentamento entre as duas superpotências poderia levar a desdobramentos inimagináveis. Já de algum tempo a liderança soviética vinha acenando com a idéia da "coexistência pacífica" e alguma coisa será feita neste sentido: instala-se o "telefone vermelho" ligando a Casa Bran-ca ao Kremlin; pensa-se em cooperação tecnológico-espacial.

Os Anos 60/70: Coexistência Pacífica e Détente.

A idéia de Coexistência Pacífica foi expressa por Nikita Krus-chev, que sucedeu a Stalin. Partia do pressuposto que a luta entre os dois sistemas deveria ser travada prioritariamente no campo econômico e não no campo bélico. Nos anos 60 essa tese foi encampada pêlos norte-americanos, passando a confi-gurar as novas relações entre os dois países. Para alguns au-tores, isso significa que a Guer-ra Fria terminou; para outros, trata-se apenas de mais uma etapa do conflito. Estes esforços de aproximação e de atitudes não-beligerantes, no entanto, serviram para encobrir um dos maiores massacres do século XX: a guerra do Vietnã, que se estendeu também ao Laos e ao Camboja.
Nos anos 70, já com novos diri-gentes (Brejhnev na URSS e Nixon, nos EUA), as relações entre as duas superpotências entraram num clima de Détente (distensão). O mundo se modi-ficara de forma extremamente significativa desde o início da Guerra Fria. Havia um dado importante: no conflito entre a China e a URSS os americanos procuraram aproximar-se dos chineses. Para isso era necessá-rio acabar com a Guerra do Vi-etnã, o que foi feito em 1972. A aproximação entre americanos e chineses tinha objetivos bem claros a nível das relações in-ternacionais, uma vez que obri-gava a URSS a encarar a China como potencial inimigo, talvez mais perigoso que os EUA.
Com a ascensão do governo Cárter, nos EUA, esta política continuou a ser utilizada, mas, no final dos anos 70, uma série de crises localizadas (principal-mente com a ascensão do Aia-tolá Khomeini, no Ira, em subs-tituição ao Xá Reza Pahlevi, tradicional aliado dos america-nos) praticamente "congelou" a Détente.
É importante realçar que o en-frentamento entre as duas su-perpotências não cessara, uma vez que podia ser facilmente detectado nas lutas de inde-pendência de Angola e Moçam-bique, no apoio norte-americano a Israel, por exemplo. Mas o "congelamento" da Détente tornou-se muito claro quando da invasão do Afeganistão pelas tropas soviéticas, em 1979. Em represália a esta invasão, fartamente denun­ciada pela imprensa ocidental, os norte-americanos resolveram boicotar as Olim­píadas de 1980, que se realizaram em Moscou, numa nítida atitude de protesto. Na esteira do descontentamento que tomou conta da sociedade norte-americana com as in-decisões do governo Cárter (principalmente no que se refe-re à prisão de
norte-americanos pêlos irania-nos), uma onda conservadora levou à vitória de Ronald Reagan nas eleições presidenciais. Com ele, um novo discurso truculento e agressivo em relação à URSS, passou a ser desenvolvido, gerando o que alguns autores denominam de "nova guerra fria".

Os Anos 80: a "Nova" Guerra Fria

O novo presidente dos EUA ha-via se destacado na época do Macarthismo como um elemento que, sendo ator de cinema, contribuiu para denunciar ao FBI uma série de colegas de profissão. Alçado agora à presi-dência da maior potência militar e econômica do mundo, Reagan desferiu violentos discursos contra os "satânicos" comunis-tas e mostrou-se disposto a enfrentá-los novamente. Isto pôde ser percebido facilmente na ajuda econômica e militar aos rebeldes afegãos e , princi-palmente, na América Central, com a verdadeira cruzada con-tra a Nicarágua e os sandinistas, que haviam tirado o ditador Somoza do poder (diga-se, de passagem, que Somoza sempre fora apoiado pêlos norte-americanos). Um verdadeiro cerco à Nicarágua foi feito, in-clusive com o apoio financeiro aos "contras", isto é, àqueles elementos que, com base nos países vizinhos à Nicarágua, tentam derrubar o governo sandinista. A invasão da ilha de Granada teve efeito evidente de demonstração do poderio norte-americano, servindo como um aviso para os nicaragüenses.
No entanto, a surpresa maior ficou por conta da ascensão de Mikhail Gorbachev na URSS e sua política de Glasnost, associ-ada à Perestroika (esses assun-tos serão analisados mais à frente). O fato é que, devido às novas propostas do dirigente soviético, interessado em redu-zir os orçamentos militares para atender aos imperativos do de-senvolvimento econômico, os americanos foram pegos de surpresa com as propostas de destruição de mísseis e desar-mamento estabelecidas por Gorbachev.
Os novos tratados assinados em 1987 reduziram muito pouco os arsenais das duas potências, mas foram um primeiro passo significativo no sentido de per-mitir um entendimento maior.
Na sequência do desenvolvi-mento das reformas implemen-tadas por Gor­bachev, como se verá no capítulo 3, rufram os governos da Europa Oriental, o Muro de Berlim foi derrubado, as duas Alemanhas se unifica-ram: em suma, o quadro ideo-lógico existente na Europa Ori-ental e que justificava a exis-tência da Guerra Fria, deixou de existir.
Podemos, portanto, falar que a Guerra Fria terminou. A década de 90 se iniciou com modifica-ções sensíveis, que fizeram com que o conflito Leste X Oeste começasse a se tomar algo do passado.
Alguns problemas permanecem ainda sem solução, como por exemplo, o que fazer da OTAN. Ela não é mais necessária, visto que o Pacto de Varsóvia desin-tegrou-se. A permanência de tropas americanas na Alemanha também tornou-se desnecessária. Mas, sobretudo, o que tem preocupado sobremaneira é o destino do arsenal atômico da ex-URSS.
Com a desintegração da União Soviética, ocorre uma disputa entre as novas repúblicas para saber quem ficará de posse desse arsenal. Enquanto isso, correm notícias de que artefatos nucleares têm sido vendidos a diversos países, o que pode aumentar o risco de conflitos, particularmente na região do Oriente Médio, que já é um local bastante conturbado.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

APOSTILAGEM PARA ESTUDO

A temática para a prova dos alunos do 3o ano do Aplicação é o processo de descolonização afro-asiática que vc pode encontrar ao clicar o arquivo abaixo:

http://www.4shared.com/file/144229416/eea1ff3/processodescolonizacao.html

boa prova.